sexta-feira, 16 de março de 2012

Oração Maçonica

Achei essa linda oração no facebook de um tio!


''Grande Arquiteto do Universo que me permitiste que como Maçom, vislumbrasse um pálido clarão da tua Luz ao ingressar nos "Mistérios".
Ajuda-me, pois, a iluminar os caminhos que abristes para mim, para aqueles que agora acompanho e para outros que talvez um dia me seguirão. 
Que eu possa refletir sobre o golpe do Teu malhete e o perfeito desbaste do Teu cinzel, para que toda a minha individualidade reflita sem equívocos a tua vontade. Fizeste-me Maçom. Por isso "morri" e despertando "renasci".

Ensina-me a humildade na crítica, sobretudo ao ser criticado, para que através de mim, todos entendam e aceitem que a humildade é uma das tuas essências. Instrui-me nas virtudes da Paciência, da Tolerância e da Alegria.
Para que eu possa aceitar os outros como são, mesmo que isso me pareça à tarefa mais árdua, a viagem mais penosa ou a taça mais amarga. Dá-me muito antes, da sabedoria de Salomão a paciência de Jó, para que a minha palavra seja sempre proferida para bem da Humanidade
 ''

Depois posto uma oração DeMolay, que é tão linda quanto essa.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Habeas Pinho

Na Paraíba, alguns elementos que faziam uma serenata foram presos. Embora liberados no dia seguinte, o violão foi detido. Tomando conhecimento do acontecido. O famoso poeta e atual senador Ronaldo Cunha Lima enviou uma petição ao Juiz da Comarca, em versos, solicitando a liberação do instrumento musical.   

Senhor Juiz. 
Roberto Pessoa de Sousa 
  
O instrumento do "crime” que se arrola 
Nesse processo de contravenção 
Não é faca, revolver ou pistola, 
Simplesmente, Doutor, é um violão. 
  
Um violão, doutor, que em verdade 
Não feriu nem matou um cidadão 
Feriu, sim, mas a sensibilidade 
De quem o ouviu vibrar na solidão. 
  
O violão é sempre uma ternura, 
Instrumento de amor e de saudade 
O crime a ele nunca se mistura 
Entre ambos inexiste afinidade. 
  
O violão é próprio dos cantores 
Dos menestréis de alma enternecida 
Que cantam mágoas que povoam  a vida 
E sufocam as suas próprias dores. 
  
O violão é música e é canção 
É sentimento, é vida, é alegria 
É pureza e é néctar que extasia 
É adorno espiritual do coração. 
  
Seu viver, como o nosso, é transitório. 
Mas seu destino, não, se perpetua. 
Ele nasceu para cantar na rua 
E não para ser arquivo de Cartório. 
  
Ele, Doutor, que suave lenitivo 
Para a alma da noite em solidão, 
Não se adapta, jamais, em um arquivo 
Sem gemer sua prima e seu bordão 
  
Mande entregá-lo, pelo amor da noite 
Que se sente vazia em suas horas, 
Para que volte a sentir o terno acoite 
De suas cordas finas e sonoras. 
  
Liberte o violão, Doutor Juiz,  
Em nome da Justiça e do Direito. 
É crime, porventura, o infeliz 
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito? 
  
Será crime, afinal, será pecado, 
Será delito de tão vis horrores, 
Perambular na rua um desgraçado 
Derramando nas praças suas dores? 
  
Mande, pois, libertá-lo da agonia 
(a consciência assim nos insinua) 
Não sufoque o cantar que vem da rua, 
Que vem da noite para saudar o dia. 
  
É o apelo que aqui lhe dirigimos, 
Na certeza do seu acolhimento 
Juntada desta aos autos nós pedimos 
E pedimos, enfim, deferimento.  

O juiz Roberto Pessoa de Sousa, por sua vez, despachou utilizando a mesma linguagem do poeta Ronaldo Cunha Lima: o verso popular. 
 
Recebo a petição escrita em verso 
E, despachando-a sem autuação,  
Verbero o ato vil, rude e perverso,  
Que prende, no Cartório, um violão. 
  
Emudecer a prima e o bordão, 
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso, 
É desumana e vil destruição 
De tudo que há de belo no universo. 
  
Que seja Sol, ainda que a desoras, 
E volte á rua, em vida transviada,  
Num esbanjar de lágrimas sonoras.  
  
Se grato for, acaso ao que lhe fiz,  
Noite de luz, plena madrugada,  
Venha tocar à porta do Juiz.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Não desista do amor




Não vamos ficar prestando atenção naquilo que a gente perdeu. Vamos dar à vida uma nova oportunidade. Alimente essa expressão de fé dentro de você.
Deus sabe o que faz.

Se não aconteceu é porque não era pra ter acontecido. E esse é um desprendimento que requer muita simplicidade da gente, mas que pode dar certo. Quando a gente de fato interpreta a fé começa a interferência de Deus na nossa vida modificando os fatos ou até mesmo não permitindo que acontecesse aquilo que a gente gostaria que acontecesse. A gente pode resolver isso dentro de nós, assim, com simplicidade. Não deu certo, tudo bem, estou aqui, vou ter novos investimentos, vou ter novas possibilidades, vou fazer novos amigos, vou arrumar um namorado...

Enfim, você diante das suas frustrações acaba encontrando um caminho para continuar dando certo.
  
Deus age mesmo quando eu não estou vendo que Ele está agindo. Quando eu não dou notícia dessa ação. Deus não perde tempo de revelar seu coração humano. É o Seu grande objetivo, Ele não vai criar cercas para essa revelação. Ele vai querer mostrar-se a todos os povos a todas as nações mesmo sendo proprietários dessa verdade, nós precisamos ser também, tolerantes com aqueles que ainda não conhecem como nós conhecemos.

Padre Fábio de Melo atende a uma pessoa que pergunta sobre a compreensão do Antigo e do Novo Testamento. Padre Fábio nos lembra que Jesus não veio para substituir o Antigo Testamento, mas sim para cumpri-lo. Jesus, o Filho de Deus, nos fez compreender o desejo de Deus para nossa vida. É interessante porque o tempo todo estamos fazendo o processo de transição. O êxodo é o período da passagem, a travessia do povo, da escravidão para a liberdade. O êxodo é a experiência vivida construída para que a escravidão deixasse de ser realidade. O tempo todo vivemos essa experiência, porque eu tenho os meus êxodos, você tem os seus.
Precisamos sair dos territórios das nossas escravidões para chegar ao território tão desejado da liberdade. De maneira que vivemos na nossa vida, as dinâmicas do Antigo e do Novo Testamento. Eu sou judeu-cristão, eu tenho as raízes judaicas. Por isso preciso compreender os novos significados que o Cristianismo me traz.

Um dos aspectos mais interessantes e que precisamos todo tempo ter consciência é que Jesus nos faz livres das amarras da lei. Jesus vai nos dizer que a partir do momento em que nós mergulhamos nos mistérios de Deus a lei deixa de estar fora de nós.
Como os judeus que amarravam na cintura, trechos da Sagrada Escritura, assim eles sempre recordavam do compromisso que aquela lei pedia pra eles, era estar comprometido com os desdobramentos práticos que aquela lei pedia.

A verdadeira lei já está escrita nos corações. Quando eu mergulho nos mistérios de Jesus eu me transformo num ser livre, porque a adesão a Jesus faz a gente se livrar dos excessos. Se eu vivo a partir dessas regras, é porque eu já tenho a lei dentro de mim, os ensinamentos de Jesus já estão dentro do meu coração. Porque ao mergulhar no ministério da Sua palavra eu assumo o compromisso de ser Ele de novo, de ser com ele, de ser para Ele.
O que são as leis que estão de fora? Um referencial para quem precisa.... Isso é muito interessante. Audacioso eu diria! Um exemplo simples: numa praça pública a placa: não pise na grama. Se você já tem uma sensibilidade que é um bem público, você não vai precisar da placa, você vai identificar que aquele jardim merece o seu respeito. A lei já está escrita dentro de você.

A gente anda pelas cidades e às vezes é lamentável a sujeira nos muros. Aquilo revela que as pessoas não estão comprometidas com o bem comum, muitas vezes precisamos de uma lei. Quem ama o meio ambiente não precisa de uma regra que vem de fora.
É impressionante como na vida social o que significa ser um homem e uma mulher de Deus. Porque o respeito das regras sociais eles indicam que existe dentro de nós uma maturidade que nos diferencia dos outros.

Como é que podemos melhorar essa produção humana a partir da religião? Ensinando regras. Essas regras precisam vir morar dentro de nós.

Uma vez naquela confusão sobre o aborto, eu me recordo que eu disse assim: “Se vai ter a lei do aborto ou não, para o Cristão isso não faz diferença”. Definitivamente nós não podemos ser a favor da legalização do aborto. O verdadeiro Cristão saberá se portar diante de tudo isso. Temos que lutar para que nunca sejam aprovadas essas leis.
E você tem que saber que a lei escrita no coração, está acima de qualquer documento que porventura possam colocar diante de nós. Isso que eu queria dizer na época e não tive oportunidade, não foi possível.
É aquilo que falávamos no início, quer saber quem é você, retire os seus excessos. Quem é você, quais são os seus valores, o que é que rege as suas decisões, qual é o seu código de honra, o que realmente nessa vida te importa, onde você coloca o seu empenho? Essas são as perguntas que norteiam a nossa conversão. Porque quando nós respondemos com sinceridade, a gente vai ter condição de saber em que degrau dessa escadaria da salvação nós estamos situados.
E aí a gente vai descobrir a partir da resposta que daremos a todas essas perguntas qual o esforço que precisamos fazer para avançar mais nessa escadaria. Às vezes a gente corre o risco de não chegar à resposta porque a gente ainda não se fez a pergunta. Nós corremos o risco de sacralizar os nossos crimes, de guardar dentro de uma redoma. Não, não queira isso, viva o seu Cristianismo a céu aberto, dá mais trabalho. A graça de Deus nos dá esse restauro sempre que buscamos por ela.

Viva o seu Cristianismo no desafio do seu dia a dia. É fácil? Não é não, mas Jesus não prometeu que seria. É só você ter a certeza de Ele está contigo e que NÃO DESISTIR é sempre a opção mais interessante, mais inteligente.


domingo, 11 de março de 2012

A saúde pública e o perigo da automedicação

São muitas as informações sobre hábitos de vida que podem levar as pessoas a ficar doentes. Entre eles temos o tabagismo, o sedentarismo, o consumo excessivo de comidas com gorduras, a violência no trânsito, e o alcoolismo. Por outro lado, pouco se houve falar sobre as consequências que os medicamentos podem acarretar ao indivíduo.
O uso indiscriminado de medicamentos é motivo de preocupação para as autoridades de vários países. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde(OMS), o percentual de internações hospitalares provocadas por reação adversa a medicamentos, ultrapassa 10%.
Isso acontece não somente quando quando a pessoa  faz uso excessivo do medicamento. Um fator que contribui de maneira significativa para essa situação, são as interações medicamentosas, ou seja, a combinação de medicamentos. Nesses casos, um remédio pode anular o outro, ou potencializar um efeito colateral.
De acordo com o Sistema Nacional de informações Tóxico- Farmacológicas(Sintox), os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações em seres humanos. Alguns cuidados simples precisam ser tomados para evitar a morte por auto-medicação: não deixar os medicamentos ao alcance das crianças; ler o rótulo ou a bula antes de usar qualquer medicamento; não ingerir remédio no escuro, para evitar trocas perigosas; evitar o uso de medicamentos com prazo de validade vencido, etc. A pior automedicação é "buscar remédio na farmácia" sem a receita médica.
O ministério da Saúde tem tomado algumas medidas para ajudar o combate à automedicação.Uma delas é o fracionamento. Ou seja, o paciente leva pra casa apenas a quantidade necessária para seu tratamento. Porém a responsabilidade de combater esse mal é de todos! Afinal, a diferença entre o remédio e a droga muitas vezes está na quantidade.

O Novo Santuário

No Evangelho de João, Jesus praticamente inicia sua missão pública entrando no templo de Jerusalém e encontrando, em vez de fiéis em oração, vendedores e cambistas. Um comércio tal, que havia transformado a casa de Deus em lugar de exploração, sobretudo dos pobres, com leis religiosas que obrigavam os fiéis a comprar bois, ovelhas ou ao menos pombas para sacrificá-los e assim conseguir a reconciliação com Deus.
Ao fazer um chicote de cordas, Jesus deixa claro que ele é o Messias esperado, aquele que vem para “açoitar” as práticas de injustiça e inaugurar um tempo novo. Ele faz o povo sair daquele centro de exploração, junto com as ovelhas e bois. Aliás, as ovelhas na Bíblia muitas vezes representam o próprio povo. Jesus vem tirar do templo, vem libertar de uma exploração comercial disfarçada de religião. Ele derruba as mesas e o dinheiro dos cambistas e ordena aos vendedores de pombas (a oferta dos pobres) que tirem tudo de lá. Pois o sacrifício de pombas de nada mais serve diante daquele que desceu em forma de pomba, no batismo de Jesus.
Longe de fazer uma “purificação” do templo, Jesus declara que seu próprio corpo é o novo santuário, e a oferta de sua vida elimina a necessidade de sacrifícios de animais. Além disso, Deus não habita locais onde se explora a fé do povo simples. Deus está presente em seu Filho, e essa presença torna Jesus indestrutível. Podem matá-lo, mas sua morte não será definitiva, pois no terceiro dia ele voltará à vida plena.
O corpo de Jesus, sendo a morada de Deus, é para nós o verdadeiro santuário, que nos aproxima do Pai. Na “casa do Pai” somos família, e em família não fazemos comércio, mas agimos na gratuidade do amor. Como família-comunidade, pertencemos ao corpo de Jesus. Unidos a ele, unimo-nos a Deus, na liberdade de filhos amados, cujo sofrimento diário o Criador já conhece e cujo compromisso em favor da vida ele aceita como oferta genuína.
                                                                                                                                 Pe. Paulo Bazaglia, ssp

Estímulo para viver

''Não te mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares'' (Js 1:9) Todos nós precisamos de estímulo para viver. Se não tivermos ânimo e interesse na vida, ela passa a ser muito pesada e lenta. Parece que as cargas são mais leves quando andamos mais rápido. As últimas marchas do carro têm menos força que as primeiras, mas fazem com que ele ande mais rápido porque venceu a inércia. Quando nós andamos mais rápido precisamos de menos força. Porém, para que andemos mais rápido necessitamos de estímulo. Todas as classes precisam de estímulo: o estudante, o operário, o empresário, a dona de casa... Todos estes produzem mais e melhor quando têm um alvo a atingir. É muito difícil ir longe quando não se sabe aonde ir. Se alguém não sabe aonde ir pelo menos tem que ter fé e crer que Deus o levará a um bom destino como aconteceu com Abraão. O livro de Hebreus nos diz que "pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia". (11:8). Mas vamos chegar a um ponto da caminhada onde Deus irá nos revelar o Seu propósito de um modo mais claro e perceptível. Muitos querem saber qual é a vontade de Deus, mas o jeito simples de conhecer a Sua vontade é conhecendo o próprio Deus, tendo intimidade com Ele, conversando com ele a cada instante. Para termos estímulo, é necessário que tenhamos propósitos. Sem um alvo não chegaremos a lugar nenhum, ou, melhor dizendo, não chegaremos ao lugar certo. Quer ter estímulo para fazer as coisas? Corra com metas, pois não adianta correr em círculos. Peça sabedoria a Deus e siga em frente, sem retroceder e Ele o guiará a bom termo. 
                                        
Paz!!                                                                                                

sábado, 10 de março de 2012

Doe Vida





Meus queridos amigos, a Ordem Demolay na Paraíba está realizando segunda, 19 de Março de 2012, uma Campanha Estadual de Doação de Sangue. Em cada cidade onde estão presentes nossos membros, terão postos de coleta. Essa campanha vem para homenagear o Dia Nacional da Ordem Demolay, e para divulgar para a sociedade paraibana os trabalhos filantropicos que nossa ordem realiza não somente aqui na PB mas em todo o Brasil e em vários países do mundo.


Convoco vocês, demolays, a familia maçonica, amigos e familiares a nos ajudarem nessa campanha. Conhecemos um pouco da dificuldade que é para quem precisa conseguir uma bolsa de sangue, por isso VAMOS JUNTOS doar VIDA!!



Quem não estiver em alguma das cidades onde vao ter as coletas, em qualquer lugar do Brasil, doe na cidade em que estiver, tire fotos e depois nos envie! O que vale é o Ato de doar, não importa onde vai ser nem muito menos o sotaque.




Convidem seus AMIGOS E FAMILIARES!!



CONTAMOS COM VOCES!!!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Os Nacirema - Reflexão

''Ritos corporais entre os Nacirema''



O antropólogo está tão familiarizado com a diversidade das formas de comportamento que diferentes povos apresentam em situações semelhantes, que é incapaz de surpreender-se mesmo em face dos costumes mais exóticos. De fato, se nem todas as as combinações logicamente possíveis de comportamento foram ainda descobertas, o antropólogo bem pode conjeturar que elas devam existir em alguma tribo ainda não descrita.

Deste ponto de vista, as crenças e práticas mágicas dos Nacirema apresentam aspectos tão inusitados que parece apropriado descrevê-los como exemplo dos extremos a que pode chegar o comportamento humano. Foi o Professor Linton, em 1936, o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para os rituais dos Nacirema, mas a cultura desse povo permanece insuficientemente compreendida ainda hoje.

Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá, os Yaqui e os Tarahumare do México, e os Carib e Arawak das Antilhas. Pouco se sabe sobre sua origem, embora a tradição relate que vieram do leste. Conforme a mitologia dos Nacirema, um herói cultural, Notgnihsaw, deu origem à sua nação; ele é, por outro lado, conhecido por duas façanhas de força: ter atirado um colar de conchas, usado pelos Nacirema como dinheiro, através do rio Po- To- Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residiria o Espírito da Verdade.
A cultura Nacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que evolui em um rico habitat. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas, uma grande parte dos frutos deste trabalho e uma considerável porção do dia são dispensados em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano, cuja aparência e saúde surgem como o interesse dominante no ethos deste povo. Embora tal tipo de interesse não seja, por certo, raro, seus aspectos cerimoniais e a filosofia a eles associadas são singulares.

A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual e do cerimonial. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas e, de fato, a alusão à opulência de uma casa, muito freqüentemente, é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. Muitas casas são construções de madeira, toscamente pintadas, mas as câmeras de culto das mais ricas têm paredes de pedra. As famílias mais pobres imitam as ricas, aplicando placas de cerâmica às paredes de seu santuário.

Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários, os rituais a eles associados não são cerimônias familiares, mas sim cerimônias privadas e secretas. Os ritos, normalmente, são discutidos apenas com as crianças e, neste caso, somente durante o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. Eu pude, contudo, estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais.

O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Tais preparados são conseguidos através de uma serie de profissionais especializados, os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros, cujo auxilio deve ser recompensado com dádivas substanciais. Contudo, os médicos-feiticeiros não fornecem a seus clientes as poções de cura; somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta. Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários, os quais, em troca de outra dadiva, providenciam o encantamento necessário. Os Nacirema não se desfazem do encantamento após seu uso, mas os colocam na caixa-de-encantamento do santuário doméstico. Como tais substâncias mágicas são especificas para certas doenças e as doenças do povo, reais ou imaginárias, são muitas, a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto, só podemos concluir que aquilo que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos, em frente à qual são efetuados os ritos corporais, irá, de alguma forma, proteger o adorador.

Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. Todos os dias cada membro da família, um após o outro, entra no santuário, inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos, mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. As águas sagradas vêm do Templo da Água da comunidade, onde os sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro.

Na hierarquia dos mágicos profissionais, logo abaixo dos médicos-feiticeiros no que diz respeito ao prestígio, estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por "sagrados-homens-da-boca". Os Nacirema têm um horror quase que patológico, e ao mesmo tempo fascinação, pela cavidade bucal, cujo estado acreditam ter uma influência sobre todas as relações sociais. Acreditam que, se não fosse pelos rituais bucais seus dentes cairiam, seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: Existe, por exemplo, uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral.

O ritual do corpo executado diariamente por cada Nacirema inclui um rito bucal. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal, este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado, que só pode considerá-lo revoltante. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca juntamente com certos pós mágicos, e em movimentá-lo então numa série de gestos altamente formalizados. Além do ritual bucal privado, as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos, consistindo de brocas, furadores, sondas e aguilhões. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve, para o cliente, uma tortura ritual quase inacreditável. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e, usando os instrumentos acima citados, alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes. Nestas cavidades são colocadas substâncias mágicas. Caso não existam cavidades naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais dentes são extirpadas para que a substância natural possa ser aplicada. Do ponto de vista do cliente, o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdote-da-boca ano após ano, não obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar.

Esperemos que quando for realizado um estudo completo dos Nacirema haja um inquérito cuidadoso sobre a estrutura da personalidade destas pessoas, Basta observar o fulgor nos olhos de um sacerdote-da- boca, quando ele enfia um furador num nervo exposto, para se suspeitar que este rito envolve certa dose de sadismo. Se isto puder ser provado, teremos um modelo muito interessante, pois a maioria da população demonstra tendências masoquistas bem definidas.

Foi a estas tendências que o Prof. Linton (1936) se referiu na discussão de uma parte específica dos ritos corporal que é desempenhada apenas por homens. Esta parte do rito envolve raspar e lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. Ritos especificamente femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar, mas o que lhes falta em freqüência é compensado em barbaridade. Como parte desta cerimônia, as mulheres usam colocar suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora. O aspecto teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos.

Os médicos-feiticeiros têm um templo imponente, ou latipsoh, em cada comunidade de certo porte. As cerimônias mais elaboradas, necessárias para tratar de pacientes muito doentes, só podem ser executadas neste templo. Estas cerimônias envolvem não apenas o taumaturgo, mas um grupo permanente de vestais que, com roupas e toucados específicos, movimentam-se serenamente pelas câmaras do templo.

As cerimonias latipsoh são tão cruéis que é de surpreender que uma boa proporção de nativos realmente doentes que entram no templo se recuperem. Sabe-se que as crianças pequenas, cuja doutrinação ainda é incompleta, resistem às tentativas de levá-las ao templo, porque "é lá que se vai para morrer". Apesar disto, adultos doentes não apenas querem mas anseiam por sofrer os prolongados rituais de purificação, quando possuem recursos para tanto. Não importa quão doente esteja o suplicante ou quão grave seja a emergência, os guardiões de muitos templos não admitirão um cliente se ele não puder dar uma dádiva valiosa para a administração. Mesmo depois de ter-se conseguido a admissão, e sobrevivido às cerimônias, os guardiães não permitirão ao neófito abandonar o local se ele não fizer outra doação.

O suplicante que entra no templo é primeiramente despido de todas as suas roupas. Na vida cotidiana o Nacirema evita a exposição de seu corpo e de suas funções naturais. As atividades excretoras e o banho, enquanto parte dos ritos corporais, são realizados apenas no segredo do santuário doméstico. Da perda súbita do segredo do corpo quando da entrada no latipsoh, podem resultar traumas psicológicos. Um homem, cuja própria esposa nunca o viu em um ato excretor, acha-se subitamente nu e auxiliado por uma vestal, enquanto executa suas funções naturais num recipiente sagrado. Este tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excreta são usados por um adivinho para averiguar o curso e a natureza da enfermidade do cliente. Clientes do sexo feminino, por sua vez, têm seus corpos nus submetidos ao escrutínio, manipulação e aguilhadas dos médicos-feiticeiros.

Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bons para fazer qualquer coisa além de jazer em duros leitos. As cerimônias diárias, como os ritos do sacerdote-da-boca, envolvem desconforto e tortura. Com precisão ritual as vestais despertam seus miseráveis fardos a cada madrugada e os rolam em seus leitos de dor enquanto executam abluções, com os movimentos formais nos quais estas virgens são altamente treinadas. Em outras horas, elas inserem bastões mágicos na boca do suplicante ou o forçam a engolir substâncias que se supõe serem curativas.
De tempos em tempos o médico-feiticeiro vem ver seus clientes e espeta agulhas magicamente tratadas em sua carne. O fato de que estas cerimônias do templo possam não curar, e possam mesmo matar o neófito, não diminui de modo algum a fé das pessoas no médico feiticeiro.

Resta ainda um outro tipo de profissional, conhecido como um "ouvinte". Este "doutor-bruxo" tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas enfeitiçadas. Os Nacirema acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos; particularmente, teme-se que as mães lancem uma maldição sobre as crianças enquanto lhes ensinam os ritos corporais secretos. A contra-magia do doutor bruxo é inusitada por sua carência de ritual. O paciente simplesmente conta ao "ouvinte" todos os seus problemas e temores, principalmente pelas dificuldades iniciais que consegue rememorar. A memória demonstrada pelos Nacirema nestas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. Não é incomum um paciente deplorar a rejeição que sentiu, quando bebê, ao ser desmamado, e uns poucos indivíduos reportam a origem de seus problemas aos feitos traumáticos de seu próprio nascimento.

Como conclusão, deve-se fazer referência a certas práticas que têm suas bases na estética nativa, mas que decorrem da aversão profunda ao corpo natural e suas funções. Existem jejuns rituais para tornar magras pessoas gordas, e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres que os têm pequenos e torná-los menores quando são grandes. A insatisfação geral com o tamanho do seio é simbolizada no fato de a forma ideal estar virtualmente além da escala de variação humana. Umas poucas mulheres, dotadas de um desenvolvimento hipermamário quase inumano, são tão idolatradas que podem levar uma boa vida simplesmente indo de cidade em cidade e permitindo aos embasbacados nativos, em troca de uma taxa, contemplarem-nos.

Já fizemos referência ao fato de que as funções excretoras são ritualizadas, rotinizadas e relegadas ao segredo. As funções naturais de reprodução são, da mesma forma, distorcidas. O intercurso sexual é tabu enquanto assunto, e é programado enquanto ato. São feitos esforços para evitar a gravidez, pelo uso de substâncias mágicas ou pela limitação do intercurso sexual a certas fases da lua. A concepção é na realidade, pouco freqüente. Quando grávidas as mulheres vestem-se de modo a esconder o estado. O parto tem lugar em segredo, sem amigos ou parentes para ajudar, e a maioria das mulheres não amamenta seus rebentos.

Nossa análise da vida ritual dos Nacirema certamente demonstrou ser este povo dominado pela crença na magia. É difícil compreender como tal povo conseguiu sobreviver por tão longo tempo sob a carga que impôs sobre si mesmo. Mas até costumes tão exóticos quanto estes aqui descritos ganham seu real significado quando são encarados sob o ângulo relevado por Malinowski, quando escreveu:
''Olhando de longe e de cima de nossos altos postos de segurança na civilização desenvolvida, é fácil perceber toda a crueza e irrelevância da magia. Mas sem seu poder de orientação, o homem primitivo não poderia ter dominado, como o fêz, suas dificuldades práticas, nem poderia ter avançado aos estágios mais altos da civilização."

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 Nota: Para quem não percebeu, Nacirema é American, de trás para frente.
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Para nos entendermos, precisamos entender o outro, primeiramente. Reconhecer que é na diferença e não na semelhança que a mais plena verdade humana se acolhe; Verdade essa que nos foi legada por gerações anteriores, e que teimamos esquecer. O que sempre instigou e nos empurrou para “frente” foi nossa infinita curiosidade à respeito do desconhecido, e quando finalmente nos deparamos com a coisa mais estranhamente fascinante, a ignoramos. O homem morre cada dia mais quando ignora o fascínio que é a “diferença” de seus semelhantes. Regredimos milênios quando ignoramos a riqueza do que nos é estranhos em nossos iguais. Leroi-Gourhan já nos dizia que “aproveitar o que sabemos sobre os tempos passados para melhor compreender o que é o homem é, decerto, prestar homenagem aos bilhões de seres que morreram transmitindo aos seguidores o segredo do fabrico do biface, até o dia em que os seus sucessores decidiram um pouco apressadamente que se tinham tornados homens-sábios” 


Paz!!